Duas pesquisas de boca de urna publicadas na madrugada desta segunda-feira (19) apontam vitória no primeiro turno do esquerdista Luis Arce nas eleições presidenciais da Bolívia realizadas neste domingo (18). O resultado oficial, porém, deve demorar para ser divulgado. Até as 5h, apenas 12% das urnas haviam sido apuradas.
Um levantamento da organização Tu Voto Cuenta mostra o candidato do MAS, partido do ex-presidente Evo Morales, com 53% dos votos, contra 30,8% do ex-presidente Carlos Mesa e 14,1% do líder de extrema direita Luis Fernando Camacho. Os demais candidatos aparecem com menos de 2%.
Já a pesquisa do instituto Ciesmori aponta Arce com 52,4%, Mesa com 31,5% e Camacho com 14,1%. No levantamento, os outros candidatos também têm menos de 2% dos votos.
Mesmo sem o resultado oficial, Arce já comemorou a vitória nas eleições. “Muito agradecido pelo apoio e pela confiança do povo boliviano. Recuperamos a democracia e retomaremos a estabilidade e a paz social”, publicou em sua página no Twitter.
Na Argentina, o ex-presidente Evo Morales também usou a rede social para parabenizar o aliado. “Irmãos e irmãs, a vontade do povo prevaleceu. Foi uma vitória contundente”, escreveu.
Já a presidente interina Jeanine Áñez ressaltou que ainda não houve confirmação do resultado, mas afirmou que os dados indicam a vitória de Arce, parabenizou-o e pediu para que os vencedores “pensem na Bolívia e na democracia”.
Apuração demorada
O resultado pode levar mais de um dia para ser conhecido, pois o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu eliminar o sistema de apuração preliminar e manter apenas a contagem individual, muito mais lenta.
Na eleição de 2019, foi justamente a adoção dos dois sistemas paralelos que causou confusão, quando números do sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares, batizado de Trep, começaram a diferir da contagem individual de votos.
A votação deste domingo transcorreu em clima pacífico, e foi encerrada sem problemas às 17 horas (18 horas em Brasília). Os eleitores votaram para escolher quem vai substituir Jeanine Añez, a presidente interina que assumiu em novembro de 2019, após a anulação da votação daquele ano e os distúrbios que levaram Evo Morales a renunciar.
Essas foram as primeiras eleições na Bolívia sem a participação de Evo Morales desde 1997. A eleição pode ser decidida já no primeiro turno se um dos candidatos tiver pelo menos 40% dos votos válidos e mais de dez pontos percentuais a mais que o segundo colocado. Se ninguém conseguir esse resultado, um segundo turno está marcado para o dia 29 de novembro.
Para evitar os problemas do ano passado, grupos ligados a fundações e universidades observaram os locais de votação, segundo Juan Carlos Nunes, da Fundación Jubileo, uma fundação católica de incentivo à democracia no país.
Fonte: O Sul