Agressor de Bolsonaro vira réu e responderá a processo com base na Lei de Segurança Nacional
O juiz da 3ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG), Bruno Savino, transformou em réu Adélio Bispo, que desferiu uma facada no candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). A agressão ocorreu na cidade mineira durante ato de campanha, em 6 de setembro. Adélio, preso desde o dia da facada, foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) por atentado pessoal por inconformismo político. Esse crime está previsto na Lei de Segurança Nacional.
Se for condenado, Adélio pode pegar pena de 3 a 10 anos de reclusão, aumentada até o dobro, em razão da lesão corporal grave. Para o procurador da República, Marcelo Borges de Mattos Medina, Adélio “perpetrou a conduta por motivação política e com o objetivo de excluir a vítima da disputa eleitoral. Como consequência, lesionou o regime representativo e democrático”.
O procurador pediu à Justiça a intimação de oito testemunhas, que tiveram as identidades preservadas pelo MPF, para serem ouvidas. Com o processo aberto, agora a defesa vai se manifestar e, em seguida, começa a fase de coleta de provas e de depoimentos de testemunhas.
Transtorno delirante grave
Na segunda (1º), a defesa de Adélio protocolou na 3ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG) o resultado do exame particular para solicitar um novo pedido de avaliação de sanidade mental. O parecer psiquiátrico pedido pelos advogados apontou que o agressor sofre de transtorno delirante grave. Sobre esse assunto, o juiz ainda vai analisar o caso, pedir a manifestação do Ministério Público e, só a partir daí, vai decidir se instaura o incidente de insanidade mental.
A instauração é um pedido da defesa, que busca demonstrar que Adélio Bispo sofre de transtornos que fazem com que ele não tenham a compreensão de seus atos e, por isso, não pode estar sujeito às penas da Lei de Segurança Nacional.
O envolvimento de outras pessoas fora do local do crime ainda é investigado pela Polícia Federal e, por isso, um segundo inquérito foi aberto, para dar continuidade às apurações. Em entrevista, o delegado Rodrigo Morais, responsável pelas investigações, disse, no entanto, que até agora a PF não tem informações que mostrem envolvimento de outras pessoas no ataque. Ele ressaltou que não restam dúvidas de que o que levou Adélio a praticar o crime foi o componente político.
Em entrevista à rádio Jovem Pan, Bolsonaro chegou a insinuar que o delegado agia como “defesa” de Adélio e que tentava “abafar” o caso. “O depoimento que vi do delegado da PF que está conduzindo o caso é realmente para abafar o caso. Lamento o que ouvi ele falando. Dá a entender até que age, em parte, como uma defesa do criminoso”, afirmou o presidenciável, quando ainda estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo.
FONTE: O SUL